quinta-feira, 7 de junho de 2012

Sessão dupla

          Quando era criança tinha o costume de ficar vendo tv de madrugada, vi muito lixo mas também muitas coisas boas e ligeiramente inapropriadas para a idade que tinha na época. Tenho lembranças enevoadas de muitos filmes, me divirto quando percebo que já havia visto pelo menos uma parte do filme e não me lembrava, mas esse assunto merece um post exclusivo.
          Então, hoje véspera de feriado, o amado foi a uma confraternização com o pessoal do futebol, resolvi colocar uma filmografia em dia. Por ironia, dois filmes que já conhecia das minhas noites de insonia anos atras ou pelo menos era o que tinha pensado.
          Primeiro assisti "Pássaros" de 1963 com direção de Alfred Hicthcok, na minha memória já havia visto e não tinha gostado muito, depois dando uma fuçadinha na net descobri que existe uma continuação feita em 1994 e esse foi o filme que foi a que vi e não gostei.
          Enfim, tecnicamente o filme é brilhante como a ausência de música na trilha e com cortes e enquadramentos que se tornariam celebres ao gênero suspense/terror   - que estão claros em filmes como "A volta dos mortos vivos", não consegui fujir ao paralelo. Porém a história do longa é um tanto fraca, não há grandes profundidade nos personagens, apenas esboços, pois o centro de tudo está na revolta das aves contra os humanos. Mesmo o longa tendo elementos inovadores e final aberto, abriu espaço para um novo segmento: o dos filmes de terror/catástrofe/sobrenatural como "A bolha" ou "O ataque dos tomates assassinos" que sem uma direção extraordinária com a de Hicthcok são apenas historias que beiram o ridículo.
          Respirei fundo e resolvi ver um filme que fazia já um tempo que estava na fila o "Smoke - cortina de fumaça" de 1994 com direção de Wayne Wang, fui atras desse filme porque uma professora comentou um fato interessante dele, um dos personagens tira fotos diariamente do mesmo lugar no mesmo horário durante décadas. Isso chamou muito minha atenção quando vi pela primeira vez, achei que valia uma segunda sessão.
          Não foi a toa que Wang ganhou o prêmio especial do Juri no Festival de Berlim, é uma história boa e contada de uma forma bastante simples, onde a vida de cinco pessoas é contada e a ligação entre elas é a amizade entre um escritor e o dono da tabacaria de seu bairro. Tem diálogos muito interessantes e inteligentes e ao mesmo tempo um matiz de cotidiano mesmo que esse pareça inverosímel como alguém que coleciona 4000 fotografias do mesmo lugar.
          Quando chegamos aos momentos finais da projeção, próprio personagem comenta "Falar bobagem é verdadeiro talento, ... para fazer uma boa história a pessoa tem que saber apertar todos os botões certos." E esse pensamento resumiu minha noite cinematográfica, duas historias cujos botões certos foram apertados.

Um comentário:

Luiz Antonio Vieira Spinola disse...

Ana, percebi uma intrigante característica sua : quando algo a toca, ou sensibiliza seu gosto pelo mistério, você se empenha em algo prático a fim de enriquecer ou esclarecer aquilo que a interessou.

Quanto ao seu comentário no Ambiente Literário - blog, vai lá ver que te deixei uma resposta. Grato pela participação e muito prazer em conhecer um pouquinho de você !!